AUDIT: o teste da OMS para avaliar o consumo de álcool
O AUDIT (Alcohol Use Disorders Identification Test) foi criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) ao longo dos anos 1980 e publicado em versão definitiva em 2001 (Babor e colaboradores). É o instrumento de triagem de consumo de álcool mais usado no mundo: foi desenvolvido e validado em seis países simultaneamente e, no Brasil, é adotado nos materiais do Ministério da Saúde e na atenção primária do SUS. São apenas 10 perguntas, respondidas em 2 a 3 minutos, que geram uma pontuação de 0 a 40.
Importante deixar claro desde já: o AUDIT é uma triagem, não um diagnóstico. Ele indica se o seu padrão de consumo merece atenção e qual o próximo passo recomendado — o diagnóstico de dependência só pode ser feito por um profissional de saúde. Aqui, nada é salvo nem enviado: as respostas ficam apenas no seu navegador.
O que é uma "dose padrão"?
As perguntas do AUDIT falam em "doses". Uma dose padrão contém cerca de 10 a 14 gramas de álcool puro, o que equivale aproximadamente a:
- 1 lata de cerveja (350 ml) — uma garrafa de 600 ml conta como quase 2 doses;
- 1 taça de vinho (90 a 150 ml);
- 1 dose de destilado (50 ml de cachaça, vodca, uísque, gim ou tequila).
Ou seja: em termos de álcool, uma latinha de cerveja e uma dose de cachaça são praticamente equivalentes. O que muda é o volume de líquido, não a quantidade de álcool que chega ao seu corpo.
O que significa cada zona de pontuação
A OMS divide o resultado em quatro zonas, cada uma com uma orientação específica:
| Pontuação | Zona | O que indica |
|---|---|---|
| 0–7 | Zona I — Baixo risco | Consumo de baixo risco ou abstinência. Orientação: informação e prevenção. |
| 8–15 | Zona II — Uso de risco | Padrão que aumenta a chance de problemas futuros. Orientação: reduzir o consumo (orientação breve). |
| 16–19 | Zona III — Uso nocivo | O álcool provavelmente já causa danos à saúde ou à vida da pessoa. Orientação: avaliação profissional e acompanhamento. |
| 20–40 | Zona IV — Possível dependência | Forte indicativo de dependência. Orientação: avaliação diagnóstica especializada (CAPS AD ou médico). |
Vale repetir: pontuar alto não é um rótulo, é um convite ao cuidado. A dependência de álcool é reconhecida como doença pela OMS (consta na Classificação Internacional de Doenças, a CID) — não é falta de força de vontade nem falha de caráter.
Mitos comuns sobre alcoolismo
- "Só é alcoólatra quem bebe todo dia." Falso. O padrão chamado binge (6 ou mais doses em uma ocasião), mesmo só nos fins de semana, também traz riscos sérios — tanto que o AUDIT dedica uma pergunta inteira a ele.
- "Cerveja não conta, é fraca." Falso. Como visto acima, uma lata de cerveja tem praticamente o mesmo álcool de uma dose de destilado. O que importa é o total de doses, não o tipo de bebida.
- "Quem aguenta beber muito não tem problema." Ao contrário: tolerância elevada (precisar de mais álcool para sentir o mesmo efeito) é um dos sinais clássicos de que o corpo está se adaptando ao consumo excessivo.
- "Parar de beber é só questão de vontade." A dependência envolve alterações reais no funcionamento do cérebro. Tratamento com apoio profissional e grupos de ajuda mútua aumenta muito as chances de recuperação — pedir ajuda é força, não fraqueza.
Onde buscar tratamento gratuito no Brasil
- CAPS AD (Centro de Atenção Psicossocial — Álcool e outras Drogas): serviço gratuito do SUS especializado nesse cuidado. Não precisa de encaminhamento: basta procurar a unidade da sua cidade com um documento.
- UBS (posto de saúde): porta de entrada do SUS para avaliação inicial e orientação — em cidades sem CAPS AD, é o caminho.
- Alcoólicos Anônimos (AA): grupos de apoio gratuitos e anônimos presentes em milhares de cidades — encontre uma reunião em aa.org.br.
- Al-Anon: grupos gratuitos para familiares e amigos de quem bebe, que também precisam de acolhimento — al-anon.org.br.
- CVV — ligue 188: apoio emocional gratuito, 24 horas, sigiloso.
Atenção: para quem bebe muito e com frequência, parar abruptamente sem acompanhamento pode ser perigoso — a síndrome de abstinência do álcool pode causar tremores, convulsões e quadros graves. O caminho seguro é reduzir ou interromper com orientação médica.
Como o álcool costuma andar junto com ansiedade e humor deprimido, pode valer a pena conhecer também nossa triagem de ansiedade GAD-7 e a triagem de depressão PHQ-9. E se você está em recuperação, a calculadora de sobriedade mostra seus dias limpos e os marcos de saúde já conquistados.
Perguntas frequentes
O AUDIT dá diagnóstico de alcoolismo?
Não. O AUDIT é um instrumento de triagem: ele estima o nível de risco do seu consumo e sugere o próximo passo. O diagnóstico de dependência só pode ser feito por um profissional de saúde, em avaliação clínica.
O que conta como uma dose padrão de álcool?
Aproximadamente 1 lata de cerveja (350 ml), 1 taça de vinho (90–150 ml) ou 1 dose de destilado (50 ml). Todas contêm quantidade parecida de álcool puro — cerca de 10 a 14 gramas.
Onde consigo tratamento gratuito para problemas com álcool?
No CAPS AD do SUS, que atende gratuitamente e sem necessidade de encaminhamento, ou na UBS da sua cidade. Os grupos de Alcoólicos Anônimos (aa.org.br) também são gratuitos, e o Al-Anon acolhe familiares.
É perigoso parar de beber de uma vez?
Pode ser, sim, para quem bebe muito com frequência: a abstinência do álcool pode causar tremores, sudorese, convulsões e quadros graves. Por isso a recomendação é reduzir ou interromper com acompanhamento médico, e não de forma abrupta por conta própria.
Só é alcoólatra quem bebe todos os dias?
Não. Beber grandes quantidades em poucas ocasiões (o chamado binge, com 6 ou mais doses de uma vez) também é um padrão de risco reconhecido pela OMS, mesmo que a pessoa passe dias sem beber.
Minhas respostas ficam salvas em algum lugar?
Não. O teste roda 100% no seu navegador: nenhuma resposta é enviada, armazenada ou compartilhada. Ao fechar a página, tudo desaparece.