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Desconto de 70%: como saber em 2 minutos se o "preço de" era real

Compare a oferta com o preço dos últimos 30 a 90 dias, não com o "preço de". Um "de R$ 999 por R$ 299" de item que custava R$ 329 tem desconto real de 9%.

Desconto de 70%: como saber em 2 minutos se o "preço de" era real

Um desconto de 70% só é real se o produto de fato custava o "preço de" nas semanas anteriores. Para conferir, compare o preço promocional com o que o mesmo modelo custou nos últimos 30 a 90 dias: um anúncio "de R$ 999 por R$ 299" de um item que ficou em R$ 329 o trimestre inteiro tem desconto real de 9%, não de 70%.

O método em 3 passos

  1. Pegue o código exato do modelo. Na ficha técnica, procure "modelo", "referência" ou o código de barras (EAN, com 13 dígitos). O nome comercial não serve: o mesmo nome pode cobrir versões com memória, cor ou ano diferentes, cada uma com seu preço.
  2. Olhe o histórico de 30 a 90 dias. Use um comparador de preços ou uma extensão de navegador que registre o histórico e anote dois números: o menor preço do período e o preço em que o produto ficou a maior parte do tempo. Com eles em mãos, o verificador de preço de Black Friday compara a oferta com a média e com o mínimo.
  3. Compare em mais duas lojas pelo mesmo código. Busque o EAN ou o código do modelo e some o frete até o seu CEP. Se duas lojas vendem pelo mesmo valor sem anunciar desconto nenhum, o "70% off" é só moldura.

A conta do exemplo

O anúncio diz "de R$ 999 por R$ 299". O desconto anunciado é (999 − 299) ÷ 999 = 70,1%. Mas, nos últimos 90 dias, o produto ficou em R$ 329. Contra essa referência, o desconto é (329 − 299) ÷ 329 = 9,1%, ou R$ 30 de economia. E se o menor preço do período tiver sido R$ 289, a oferta está acima do mínimo recente:

Referência usadaValorDesconto sobre R$ 299
"Preço de" do anúncioR$ 99970,1%
Preço praticado no trimestreR$ 3299,1%
Menor preço do trimestreR$ 289Nenhum: a oferta é 3,5% mais cara

A calculadora de desconto faz essas contas sem erro de arredondamento. O número que importa é sempre o da segunda ou da terceira linha.

Quando o "preço de" vira propaganda enganosa

O art. 37 do Código de Defesa do Consumidor proíbe a publicidade enganosa e, no § 1º, inclui nela a informação "inteira ou parcialmente falsa" capaz de induzir o consumidor a erro sobre o preço. Um preço de referência que nunca foi praticado, ou que foi inflado pouco antes da promoção só para aumentar o percentual, se encaixa nessa descrição.

Se você identificar o caso, guarde prints do anúncio e do histórico, com data, e registre a reclamação no Procon ou no consumidor.gov.br. O caminho completo está no texto sobre como denunciar oferta enganosa e ser ressarcido. E, se a compra já foi feita on-line e o desconto se revelou falso, ainda dá para usar o direito de arrependimento dentro de 7 dias do recebimento.

Desconto pequeno não é golpe. Um preço 9% abaixo do que o produto custou no trimestre pode ser uma boa compra se você já ia comprar aquele item. O erro é decidir por causa do 70%.

Fontes

  1. Câmara dos Deputados: Lei 8.078/1990 (Código de Defesa do Consumidor), art. 37, § 1º. camara.leg.br
  2. Consumidor.gov.br: como registrar reclamação e prazo de resposta das empresas. consumidor.gov.br
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